Intimidades
apresentará uma personagem em diferentes situações em que ela fala ou age
sozinha. A estrutura será de quadros independentes entre si. Cada quadro terá
uma temática/intenção que contextualizará as ações da personagem. A criação
será a partir da improvisação, alimentada com referências textuais, musicais,
filmes, exercícios, testes, estímulos, bem como com a exploração de experiências
pessoais. O processo, portanto, será muito importante, ele quem dará os rumos
mais exatos. A dramaturgia irá se desenhar ao longo dos ensaios, a improvisação
para levantamento de material irá evoluir para ensaios de refinamento. Ademais,
o dramático, o cômico, o sério, o deboche, o exagero, etc. serão investigados a
fim de obter um “tom” em cada quadro.
Os pontos de partidas iniciais para a
investigação prática dos quadros (que não serão apresentados necessariamente
nessa ordem) são:
1) Sabe quando fazemos de conta que aquela
pessoa amada ausente está ao nosso lado? Que olhamos pra ela como se ela
estivesse lá? Esse faz de conta é um alívio enquanto dura... (quadro dramático)
2) Sabe quando temos uma conversa,
discussão imaginária? Quando “ensaiamos” uma conversa séria? Quando a gente se
pega, sozinho, dizendo coisas pra alguém? Brigando, discutindo ou até
desabafando, falando coisas que tá precisando dizer pra aquele amigo, ou
dizendo verdades que tem vontade de dizer pra alguém, mas por algum motivo não
pode dizer. Quando chegamos a elaborar frases incríveis para uma conversa ou
exposição que não vai acontecer? (quadro
tragicômico)
3) Exploração e revelação dos
pensamentos em alguma situação social. (quadro
cômico)
4) Sabe quando estamos tristes - por mil
motivos ou por nada - e queremos ficar naquela sensação por um tempo, de
propósito? Colocamos uma música melada, nos entupimos de doce, não saímos da
cama, construímos toda uma atmosfera pra poder chorar e ficar triste com tudo o
que tem direito? (quadro melodramático)
5) Falar sozinho. Falar contigo. Ter uma
conversa super importante e sincera de você para você. Dar aquela repassada no
dia, na semana - sem tentar se defender - e encontrar algo que não gostou de ter
feito. Nessas conversas consigo, quantas coisas se podem descobrir sobre si
próprio, sobre a própria história... Aquelas fraquezas, aquelas dificuldades,
aqueles orgulhos... Com o tempo, essa conversa fica tão íntima, que nos
tornamos capazes de nos confessarmos para nós mesmos sem nos protegermos e,
assim, vamos percebendo que nossos limites, nossas dificuldades, nossas
qualidades, nossas histórias, um mundo que tem dentro de nós ficam mais
visíveis e, pouco a pouco, vamos nos conhecendo cada vez mais... (quadro sério, reflexivo, que poderá se
repetir)
Intimidades
pretende investigar as experiências individuais que se pode viver dentro dessas
situações. O público provavelmente irá se identificar de alguma forma com a personagem.
Equipe e suas funções
Direção - Roberta Postale
- Ajudar a atriz, estudar com ela,
conversar, explorar nossas vivências junto com as referências e apoiá-la a transformar tudo isso em ação.
- Incentivar/estimular a coragem de atriz em
testar e se jogar, deixá-la investigar e testar e depois dar os apontamentos. Deixá-la e ajudá-la a criar.
- Prezar pelo ritmo e pela harmonia dos
elementos. Cada um se preocupará mais com a sua função, a direção terá o olhar
do todo para prezar pela conversa entre eles.
Atuação - Tatiana Duarte
- Maior força da encenação, a partir da
sua interpretação o público será convidado a entrar no universo da personagem e
a imaginar os locais que está, a situação que está passando, o que está
sentindo,os outros elementos servirão a interpretação da atriz, acentuarão as
suas ações. A relação da atriz com os outros elementos será de harmonia e não de
contraste.
- A improvisação, a prática da atuação será determinante para levantar o conteúdo da peça.
Dramaturgismo - Márcio Mariot
- Costura de um quadro ao outro: poemas,
trechos da literatura ou criação autoral que serão ditos pela atriz ou em off. Um texto que preconize o tema do quadro seguinte, que seja dito ao público ao
mesmo tempo em que a atriz se prepara com o figurino e cenografia, que sirva de
código para o público entender que será apresentado outra coisa.
- Importância desse trabalho: Visualização
da dramaturgia, ou seja, também servirá como um instrumento de avaliação para a
direção, observar as forças e fraquezas da construção cênica.
-- Os textos (quadro a quadro) serão
construídos aos poucos, ou seja, enquanto a improvisação tiver muito crua, o
texto também estará cru. Em primeiro momento, não há necessidade de dar
acabamento ao texto, querer finalizá-lo e fixá-lo. Os textos também serão
testados na prática, assim como a prática será testada nos textos.
- A função de ter alguém pensando no
texto é para que no fim tenhamos uma obra escrita, porém o mais importante é o
auxílio que esse trabalho dará ao processo de construção cênica. Não nos
subordinaremos ao texto, será uma constante troca entre texto e prática.
Cenografia - Felipe Cremonini
- Poucos elementos no espaço cênico, a
interpretação da atriz que levará o público a imaginar.
- Mobília básica para apoio que podem
ser combinadas pela própria atriz ao longo da peça.
- O processo dará a necessidade dos
elementos.
- Para ajudar na atmosfera da situação,
do sentimento e no envolvimento do público: projeção (não o tempo todo). Por
exemplo, para o quadro da tristeza alimentada, projeção de um vídeo brega
desses típicos do youtube, com as legendas da letra, acompanhando a atriz se
esgoelando, chorando e cantando.
- Espaço físico: não será ignorado, será
necessário que o conheça bem para refletir a cenografia a partir das potências
e possibilidades do local.
- O espaço ficcional: o universo
explorado será a subjetividade da personagem. Fica subentendido que ela
realiza suas ações em um local de amparo, onde ela possa falar sozinha à vontade, porém o espaço não será tratado de forma realista. O espaço que se transformará de acordo com a interpretação, terá momentos em que ela
vai se sentar à mesa para um jantar e em outro em que estará em uma situação
social, por exemplo. O espaço é flutuante e não fixo, por isso a projeção
parece ser uma boa ideia para os momentos oportunos (provavelmente os que terão
música).
- Primeiras ideias: o uso do papelão como material e estética próxima ao
cartoon.
Figurino - Grazielle Bessa
- Figurino base que será completado com
acessórios de acordo com cada quadro.
- Brechós, pesquisa nesses lugares e com
as pessoas envolvidas com esse trabalho para encontrar as peças e combiná-las.
Intervenções nas peças podem ser necessárias.
Iluminação - Roberta Postale
- Desenhar o mapa a partir das
possibilidades do local e dos equipamento. Pensar a projeção também como iluminação e não somente como cenografia.
- Preocupar-se, primeiramente, que o
público veja da melhor forma as ações da peça.
- Pensar nas atmosferas que a luz
apoiará, mas sempre tendo em vista o que é possível e melhor.
Técnica - Carlos Eduardo Miranda
- Preocupação com os equipamentos de luz, som e projeção (pesquisar, ver a disponibilidade, reservar, emprestar...).
- No dia das apresentações: montagem do
mapa do espaço cênico. Preocupação prévia com os cabeamentos, extensões,
adaptadores, tomadas.
-
Operação, dividia com a direção ou outra pessoa.
- Presença em alguns ensaios para
articulação com a proposta e com a iluminadora.
Assistência
de produção e comunicação - Mariana Lealdino
- Divulgação virtual e tudo que isso
envolve: release, evento no face, posts, convites, compartilhamentos, etc..
-
Teaser.
- Escrita e entrega (ou envio) de
convites a uma lista de pessoas.
- Fotografias.
- Escrita de carta e visita a
estabelecimentos para conseguir parcerias.
- Dia da apresentação: ponte entre equipe e local, recebimento do público.
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